Muito amor, doçura e paixão para todos!

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Quem é mais sentimental que eu?

Eu queria não estar sempre cansada...
Quando não estou cansada, estou com dor ou estou dormindo.
Eu vejo fotos, vejo as pessoas leves, ou planejando ou apreciando os momentos, os planos...Minha primeira auto memória é de uma criança de cabelo alaranjado, rosto sisudo em um vestido rosa.
Eu me lembro que os livros eram meus melhores amigos, eu me lembro de não me enquadrar em lugar algum, mas mais do que isso eu me lembro de ter medo o tempo todo. Medo de errar, de magoar alguém, de decepcionar as pessoas e medo de punições.
Depois no auge da minha autoflagelação e por não me permitir errar, carreguei cada pequeno fracasso como um câncer em metástase na minha alma, e na minha sede por justiça me tornei arrogante.
Com o tempo percebi que não adianta tentar entender o porquê de cada coisa. Não adianta tentar não machucar as pessoas. Sempre haverá um mal entendido, uma palavra que alguém ouviu fora do contexto, uma brincadeira que você fez com um amigo, mas que atingiu outra pessoa e isso a magoou.
Sempre haverá mal entendidos...
Sempre haverá uma demissão porque o empregador esperou algo de um funcionário, que não cumpriu ( porque não entendeu, porque não achou justo, porque ninguém lhe disse). No frigir dos ovos, não importa o porquê. Quem sente não quer entender, entender não vai fazer a dor parar de latejar, o coração desacelerar, a garganta abrir e o pulmão respirar.
De um tempo para cá, parei de tentar entender, e as pessoas que magoei, só peço que me desculpem. Não fiz por mal, é apenas meu jeito (desajeitado) e sisudo.
E quanto a mim, parei de me explicar. Li em algum lugar que meus inimigos não irão ouvir e meus amigos não precisam de explicação.
Hoje eu sinto que pago cada peso que carreguei, eles se manifestam nas dores que sinto, no cansaço que me arrasta e no sono interminável. Hoje digo que não vale a pena remoer e perder tempo com cada coisa. Não vale a pena os laços de cigarros que queimei, os pileques, as sessões de culpa e terapia.
Hoje aprecio o simples fato de sentar numa cafeteria e tomar um café quando não estou com dor.
Deitar numa cama após viajar com meus amigos e não passar mal a noite toda.
Agradeço quando almoço com minha família e sinto prazer nas pequenas coisas.
Parei de procurar ser feliz. Parei de procurar ter razão ou me explicar. Parei de carregar o mundo nas minhas costas.
Me sentir saudável, é a maior (e melhor!)  meta que eu poderia ter.