Enquanto o
mundo gira num caleidoscópio de fingimento e dor
Eu me agarro no
sagrado
No pouco que
restou
dos escombros
da batalha...
Por mais que eu
tenha lutado, gritado,
pedido e rezado
Por mais que eu
tenha vivido, amado e sofrido
Não houve
retorno humano ou divino
Para meus
guerreiros despedaçados!
Então eu visto minha armadura e corro ao sabor do vento
Sem sentido,
sem sonhos ou anseios
Nada sinto ou
demonstro
Meus heróis
estão todos mortos...
Pego meus
sentimentos e sufoco no peito
O que
transborda eu ponho numa caixa dourada
No fundo da
mala desgastada
Com várias
trancas e cadeados
Não houve
misericórdia
Nos espólios de
guerra
O mais forte
molda a estória
E o mais fraco
foge desconsolado envergonhado com a miséria
A rotina, o
medo e a sina
Nada me traz
descanso ou prazer
Com a cabeça na
guilhotina
Sinto que não
há muito o que fazer
Quem luta o bom
combate? Quem é um bom guerreiro?
Nesse mundo vil
quem é justiceiro
Vive em um
eterno embate
Em algum
momento o coração caleja
A alma já não
almeja
O que a cabeça
não pode comandar...
Seguindo com o
rebanho
Fingimos estar
em verdes campos
Quando na
verdade
A aldeia toda
foi queimada...